top of page

Review "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé"

  • Foto do escritor: jessicafilipasantos
    jessicafilipasantos
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Tenho tendência a esquecer-me do porquê de gostar tanto de (ler e) escrever. Voltei a recordar-me com este livro.


A minha relação com os livros tem sido algo engraçado de experienciar: passo por eles e tenho a certeza daqueles que um dia vou ler, mas sei que só os abro no momento certo para mim.

Quase como se todos eles tivessem um tempo exato para me contar as suas histórias.

E com este não foi diferente – nem tão pouco com as suas lições.


Não vos sei dizer em quantas páginas o meu coração se partiu em demasiados pedaços, nem em quantas outras sorri como se a alegria das personagens fosse também minha.


Posso apenas contar-vos que no prefácio me ri e identifiquei com a Luísa e no prólogo… bem, aí chorei com uma intensidade que desconhecia ser possível um livro causar.

Na verdade, fiz umas 3 ou 4 pessoas que me são queridas ler também este prólogo. Acho que não haveria forma mais clara de lhes explicar porque razão andava com o livro para todo o lado.


Estava nas primeiras páginas quando decidi que queria escrever a review do “Nem Todas as Árvores Morrem de Pé” e é isso mesmo que deixo abaixo.


Os poemas, a canção, o herbário e o amor em diferentes formas; as propriedades das plantas, as lições que a vida nos ensina e o lugar que o passado ocupa; as cartas, o autor preferido e a beleza das palavras italianas. Ou até mesmo a magia da sua culinária.

Há demasiados detalhes que me fazem querer recomendar-vos este romance.


Em 220 páginas, conhecemos diversas personagens que nos marcam pelas suas histórias e escolhas. Mas há duas que nos pedem mais tempo – a Emmi e a M. 


Da Emmi, sabemos a forma triste como o pai lhe foi roubado e como a sua infância ficou para trás, na mesa do pequeno-almoço “(…) Saímos de casa em silêncio. Ficou tudo na mesa. A minha infância também (…)”. (pág. 26)

Assistimos à forma como se apaixona por Misha e como aprende que Berlim Leste pode ser maravilhoso.

Mas depois da construção do Muro de Berlim, somos nós (leitores) que aprendemos sobre encomendas com uma única nota e sobre desilusão.

Ainda assim, as montanhas que se movem, quando o amor de uma irmã vive no nosso peito, podem ser assustadoras.


Por sua vez, a M. tem a vida perfeita. Mas haverá mesmo alguém com uma vida assim? Às vezes precisamos de descoser certezas para nos conseguirmos encontrar.

A doce M. vive com uma mãe que se torna um fantasma de si própria e com um pai incrível, o centro do seu mundo. Mas também ela voltará a encarar o Muro com uma perspetiva diferente da primeira vez.


É quando o caminho das duas se cruza, que se abrem algumas feridas que não se podem fechar. Pelo menos, não facilmente.


Se pudesse resumir o livro em poucas palavras, diria que é uma extensa carta de amor entre as personagens, que fala sobre temas tão frágeis e sensíveis como a liberdade, a violência e o silêncio, a maternidade e o amor em si, numa Alemanha cinzenta e conturbada.


De um excerto de uma notícia, a uma canção demasiado grande, a um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Com reviravoltas que me fizeram rir, chorar e ter esperança.


Espero que também se possam rir com a “FRRRAAAANNNCCEEESSSCCAAA” (pág. 73), que descubram curiosidades sobre as plantas e que saibam ser gentis com o amor.

Mais do que isso, espero que leiam e que se deixem levar por cada sentimento em que podem tropeçar.


Quanto a mim, sem dúvida que vou ler mais livros desta autora!


Boas leituras 😊 


⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


- Jéssica Filipa Santos

1 comentário


Cláudia Pinheiro
Cláudia Pinheiro
há 21 horas

Sem dúvida que fiquei curiosa! Adoro a tua escrita 💕

Curtir

Subscribe here to get my latest posts

© 2035 by The Book Lover. Powered and secured by Wix

bottom of page