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Review “Inventário da solidão”

  • Foto do escritor: jessicafilipasantos
    jessicafilipasantos
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura

A primeira review do ano chegou! E chegou com um livro que me arrebatou – ora me ria, ora chorava, ora me encontrava em algumas páginas…. Ora dava por mim a sublinhar imensos excertos que me marcaram.


Estabeleci como objetivo começar a ler mais autores portugueses e depois de um passeio à livraria habitual, cruzei-me com um livro que bem podia estar à minha espera. E como adoro estes encontros!


No centro do cenário, a paixão – em forma de arte, de sonho, de doença.


O primeiro amor é algo tão frágil que, por vezes nos consome e aos 22 anos, é fácil deixar que todas as nossas certezas sejam desfeitas, que o nosso propósito seja uma dúvida constante.


A nossa personagem principal, o nosso “poeta”, é um psicólogo sexagenário que, entre a filosofia que estudou na juventude, em Inglaterra e a psicologia em que acabou por se especializar, procura o sentido da vida e de tudo o que lhe aconteceu.


Agora e pela última vez, o nosso narrador perdeu Becca. E o maço de tabaco que estava guardado na escrivaninha ganha um novo sentido, menos auspicioso.


E é exatamente assim que o livro inicia, com a morte desta mulher irreverente, cujo último adeus volta a reunir o antigo grupo de amigos universitários. E os ursos polares, claro.


Assim, entre passagens atuais e rasgos de memórias de Londres, da época de 1980, ficamos a conhecer a história conturbada de um grupo de amigos, num país em crescente rutura. 


São exatamente essas memórias que nos contam como Becca, personagem de que aprendi a gostar ao longo das páginas, impactou a vida do seu poeta – e consequentemente a do leitor.


Uns anos mais tarde, com uma tese por terminar e um abismo interior, o narrador regressa a Portugal e tenta recomeçar a sua vida.

Não deixa de ser irónico que vá encontrar nos seus pacientes, algumas dores que sabe de cor.  


Ao centro do cenário é então necessário acrescentar a culpa, que tantas vezes o assombra.

Tal como o autor escreveu “(…) Nós herdamos a raiva, eles guardam a culpa. A raiva é uma emoção domesticável. A culpa, por outro lado, não é uma emoção, é um lastro inapagável(…)”. (pág. 65)


E quando pensamos que tudo poderá tomar um rumo mais fácil, a arte de Magritte volta a fazer mais sentido do que nunca. Só que desta vez, pelas palavras da pequena Simone, fruto de um “amor doentio”. (pág. 622)


Se o silêncio e a ausência, consequentes da revolta, não podem contar a história de uma mãe, - a mãe que Simone nunca conheceu – então, talvez o que o pai lhe irá entregar, a ajude a entender os contornos da Sabedoria, dos sonhos de um cavalo a galope, de uma mente doente e dos corredores de um hospital psiquiátrico.


Afinal, “(…) O subconsciente é pura literatura (…)”. (pág. 608)

 

Por incrível que possa parecer, foi a primeira vez que li João Tordo, mas certamente vou querer descobrir os outros livros do autor.

De leitura fácil, este foi um romance que me fez querer ler sempre mais e mais.

Um livro que me provocou e me fez sentar comigo própria, numa introspeção bonita com algumas das mil frases que sublinhei.


Se ainda não leram, deviam mesmo dar uma oportunidade.


Boas leituras 😊


⭐️⭐️⭐️⭐️


• Jéssica Filipa Santos

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