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Não há beleza em viver com o coração desfeito, amarrado a saudades que vão tornando os dias mais escuros.
Qual é a graça de finalmente acreditar no amor, só para depois ter de transformar os planos de uma vida em sonhos amarrotados, guardados a sete chaves?
Acho que deixei de gostar de poesia e que todo o brilho descobriu que afinal, gosta mais de se esconder na sombra.
Andar de braço dado com a apatia torna-se acolhedor e os dias seguem, num silêncio repetitivo.
Peguei fogo a tudo o que era e sentei-me ao lado das cinzas, que teimam em esvoaçar sempre que tento respirar.
Passei de bicos de pés ao lado das tuas memórias, num desespero que se dividia entre parti-las ou abraça-las. Mas se sou feita de amor, como é que alguma vez poderia desfazer-me de ti?
Cada pequenino detalhe, ainda mora aqui. Cada covinha e ruga de sorriso, cada piada e a leveza dos dias, cada traço com que te desenhaste.
Ainda me pedem para morar no peito onde só cabes tu.
Haverá realmente portas que nunca se fecham? Porque a minha permanece entreaberta, para o caso de teres a força de a empurrar.

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